Departamento de Conservação e Restauro

Documentação de Arte Contemporânea

No que respeita a definição de boas práticas, a discussão internacional da última década é consensual em reconhecer a documentação (inspirada nas metodologias da história da arte, da antropologia e da conservação), como a estratégia mais apropriada e eficiente para algumas colecções de arte contemporânea constituídas por obras que impliquem : a) materiais frequentemente perecíveis b) diversos componentes c) uma relação específica com o espaço que ocupam d) um ênfase no conceito e não no objecto e) recurso a tecnologias como o filme, o vídeo e outros media baseados no tempo.

Resumo integral
Este projecto põe em prática metodologias inovadoras, propondo-se documentar obras de arte de três gerações: a) artistas nascidos entre 1935 e 1940 b) artistas nascidos entre 1955 e 1965 c) e a mais jovem, nascida entre 1965 e 1975. Quanto às tipologias das obras a documentar privilegiam-se instalações envolvendo multiplicidade de objectos, materiais não convencionais, tecnologia e uma dimensão intangível, obras de arte com imagens em movimento incluindo filme, vídeo e projecção de slides, sensíveis à obsolescência da tecnologia e exigindo condições particulares de conservação e exposição.?O projecto inicia-se com a recolha e análise crítica do material existente sobre os autores em estudo. Segue-se o trabalho de campo, que consiste em entrevistas aos autores e outros intervenientes, na fase de criação ou exposição inicial das obras e registo em fotografia e vídeo do processo de instalação das mesmas. Estes dados permitirão produzir documentação escrita e visual necessária à sua adequada preservação e futura reapresentação. Para as instalações serão identificados os componentes materiais (características, propriedades estéticas, proveniência, técnicas e equipamentos usados) e os aspectos intangíveis a eles associados (contexto de produção, significação, processo criativo, relação com o espaço intra e extra obra). No caso das obras de arte com imagens em movimento será avaliado o estado de conservação da obra, identificada a tecnologia e equipamento originais e caracterizado o significado histórico e artístico para definição de estratégias de preservação. Será ainda identificada a existência de cópias e possíveis outros “stakeholders” e definidas estratégias de apresentação.?A fase final, prevê uma reflexão sobre as bases conceptuais e metodológicas que enformaram o projecto, bem como avaliação do seu impacto junto da comunidade, científica, museológica e artística.

Coordenação: Lúcia Almeida Matos (FBAUP) e Rita Macedo (NDCR-FCT/UNL)

Instituições participantes: FBAUP, FCT-UNL, FCSH-UNL, Culturgest, CAMJAP, Museu de Serralves, Museo Extremeño Ibero-Americano de Arte Contemporaneo (MEIAC).

Membros da equipa: Lúcia Almeida Matos, Rita Macedo, Ana Luísa Barão, Ana Vasconcelos e Melo, Andreia Magalhães Correia, António Rocha, Isabel Corte Real, Laura Castro, Maria Cristina Oliveira, Maria de Jesús Ávila, Maria Raquel Henriques da Silva, Susana França de Sá, Susana Felix Marques