Departamento de Conservação e Restauro

Vitral

Lab 12 HIII (ext: 11316)

Responsável: Doutora Márcia Vilarigues

Missão:
Apoio a aulas de diagnóstico e conservação de vitral, projectos e estágios dos mestrados em Conservação e Restauro e ciências da conservação. Investigação de novas metodologias de conservação, em particular de limpeza de vitrais. São ainda desenvolvidos estudos de caracterização de vitrais, em articulação com o laboratório ciêntifico e com as actividades da Unidade de Investigação "Vidro e Cerâmica para as Artes (VICARTE). 

Grandes áreas de actividade:

  • Estudos de corrosão de vidros potássicos
  • Materiais e técnicas de produção de vitrais medievais e renascentistas, em particular das colecções do Palácio da Pena, do Mosteiro da Batalha e do Convento de Tomar.
  • Estudo das condições de formação de nanopartículas em vidros sódicos e potássicos, em particular dos sistemas Ag e Ag-Cu.
  • Limpeza de superfícies de vidro com líquidos iónicos.

Projectos em curso:

A Colecção de Vitrais do Rei D. Fernando II

Última Ceia

Com o objectivo de restaurar, expor e estudar este importante conjunto de vitrais, a Parques de Sintra – Monte da Lua assinou, em 2010, um protocolo com o Departamento de Conservação e Restauro (DCR) da Fac. Ciências e Tecnologia da Univ. Nova de Lisboa, que detém vasta experiência nos campos do vidro e do vitral, envolvendo os seus alunos e professores. Esta parceria teve como primeiro objectivo o restauro integral do conjunto, mas envolve também um profundo trabalho de análise laboratorial com vista à identificação dos materiais utilizados, datação e caracterização dos painéis, bem como ao estudo das patologias encontradas.

Adicionalmente tem sido possível estabelecer importantes contactos internacionais para que esta colecção portuguesa possa ser estudada no âmbito da História da produção vítrea europeia. Produzidos no centro da Europa (Alemanha, Suíça e Países Baixos), os vitrais, provenientes de igrejas, mosteiros, casas senhoriais e oficinas de artífices, chegaram ao nosso país através do rei D. Fernando II, que os mandou colocar na Sala de Jantar do Palácio das Necessidades, em Lisboa. Após a implantação da República, o Palácio foi entregue ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e quase todo o seu recheio foi disperso. Os vitrais da Sala de Jantar foram apeados e transferidos para as reservas do Palácio da Ajuda, onde ficaram até 1949. Nesta data, e depois de um pedido do Conservador do Palácio Nacional da Pena, os “8 caixilhos de madeira com vitrais” chegaram à Pena para ser aplicados nas janelas deste edifício.


 

Os Vitrais da Charola do Convento de Cristo, Tomar

Está a ser estudado/analisado um conjunto com mais de 400 fragmentos de Vitrais encontrados em Fevereiro de 2009 na Charola do Convento de Cristo, Tomar. Este estudo consiste na análise histórica da proveniência das peças, e ainda na sua caracterização material e ao nível das técnicas artísticas aplicadas.
O conjunto é constituído por uma face, alguns elementos arquitectónicos semelhantes aos observáveis na arquitectura do próprio Convento, e ainda por uma paisagem de fundo azul, para além de outros fragmentos de outras cores. Provavelmente serão do início do século XVI, altura das intervenções de D. Manuel na Charola, mais tarde continuadas por D. João III. Assim sendo, farão parte de um mesmo programa iconográfico que inclui as pinturas murais, os retábulos, esculturas e estuques coevos que hoje se podem ver na Charola do Convento.

Coordenação: Márcia Gomes Vilarigues (Vicarte e DCR-FCT-UNL) e Pedro Redol (Vicarte e IGESPAR)
Membros da equipa: Joana Delgado (DCR-FCT/UNL), Luis Cerqueira (ITN), Victória Corregidor (ITN).


A aplicação de líquidos iónicos na impeza um vitral quatrocentista do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Batalha

Os vidros medievais caracterizam-se por uma elevada composição de iões alcalinos (cerca de 20% a 30%), nomeadamente potássio, e baixa quantidade de sílica (cerca de 50%). Na presença de tais factores, a corrosão é favorecida, com a formação à superfície de uma camada hidrata rica em sílica, e posterior dissolução e destruição da rede vítrea a pH superior a 9. Na presença de poluentes (CO2 e SO2) obtém-se a deposição de compostos insolúveis, carbonatos e sulfatos, com a formação de crostas de difícil remoção. Pode ainda observar-se outros fenómenos como o da opacificação subsuperficial.
A proposta da utilização de líquidos iónicos prende-se com as suas vantagens, como a reduzida pressão de vapor, elevada estabilidade térmica e química. Designados de designer solvents, estes líquidos podem ser obtidos através de variadas combinações entre anião e catião, de maneira a adaptar cada solução ao efeito pretendido.

Coordenação: Márcia Gomes Vilarigues (Vicarte e DCR-FCT-UNL) e Pedro Redol (Vicarte e IGESPAR)
Membros da equipa: Andreia Machado (DCR-FCT/UNL), Luis Branco (Requimte).

Destaques